
Os arquitetos mineiros do Coletivo Levante, trouxeram para o Brasil o Prêmio ArchDaily Building of the Year 2023, com um projeto arquitetônico realizado no maior conjunto de favelas de Belo Horizonte, em Minas Gerais
Nem só de tijolos e cimento se faz um projeto arquitetônico. A criatividade também é um elemento-chave na hora de projetar uma casa e construir espaços funcionais. Um bom exemplo disso está no projeto vencedor do Prêmio ArchDaily Building of the Year 2023. Os arquitetos mineiros do Coletivo Levante trouxeram para o Brasil a categoria “Casa do Ano” e nós conversamos com o responsável e outros especialistas para descobrir o que podemos aproveitar da construção e implantar na nossa casa.
Localizado no maior aglomerado de favelas de Belo Horizonte, em Minas Gerais, a casa, que concorreu com mais de 1.600 projetos de várias partes do mundo, prioriza materiais comuns às construções como esquadrias de ferro, vidros decorativos e mantém muitos elementos construtivos aparentes.
Para valorizar a vista e a localização da casa, houve uma atenção maior aos espaços externos a fim de manterem um diálogo com os ambientes indoor. (Leonardo Finotti)
“Criamos situações para favorecer a relação entre paisagem, varanda, terraço e laje. Isso porque os espaços internos são extensões desses ambientes internos, além de contribuir na garantia de uma circulação aberta e cruzada”
Esse modelo de ventilação é reforçado ainda pela escolha da utilização do modelo de lajota aparente. Segundo o arquiteto e presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Estado do Espírito Santo (CAU-ES), Heliomar Venâncio, esse material, quando posicionado horizontalmente, ou seja deitado, permite que os furos ajudem na circulação de ar.
“Muito além da estética, é um projeto de grande representatividade e esperamos que se olhe mais para essa população. Principalmente, porque o projeto se mimetiza na região e podemos observar as melhores soluções dentro de um custo-benefício adequado ao bolso do morador”, ressalta.
Outro ponto de atenção no projeto, é a utilização de vidro canelado. O designer de interiores Regilano Dornellas destaca ainda que ele está presente desde o box do banheiro às cristaleiras e portas de marcenaria.
“Além disso, as tubulações aparentes, do estilo industrial, são a melhor maneira para um obra limpa de baixo custo e manutenção. As colunas que ficam visíveis no teto reforçam essa estética e trazem um ar bem moderno. No projeto ainda foi utilizado muito o verde, que torna a casa mais alegre e foge do padrão de alumínio e preto”, aponta o designer.
01 – Tubulações aparentes
Com tubulações aparentes, o projeto explorou a utilização de materiais construtivos para agregar a decoração da casa de maneira que todos possam interagir juntos.
02 – Capricho na execução
Por isso, houve um capricho na execução, já que não existia a intenção dessas paredes serem revestidas posteriormente. Isso reforçou o trabalho de acabamento.
03 – Materiais disponíveis localmente
O arquiteto Fernando Maculan ainda reforçou que houve uma opção preferencial por materiais disponíveis nas proximidades do projeto. Com isso, as estruturas de concreto armado, alvenarias de tijolos e cerâmicas furadas ganharam espaço no projeto.
04 – Varanda x terraço x laje
Para valorizar a vista e a localização da casa, houve uma atenção maior aos espaços externos a fim de manterem um diálogo com os ambientes indoor.
05 – Circulação cruzada
Além disso, valorizando a circulação natural, a planta foi pensada para manter uma ventilação cruzada, assim como os materiais utilizados.
Créditos do projeto:Arquitetos Responsáveis: Fernando Maculan e Joana Magalhães
Equipe de Projeto: Cássio Lopes, Ricardo Lobato